Modelo Integrado
de Negociação
Para que possamos chegar ao ganha/ganha é preciso que tenhamos uma compreensão de todos os fatores e aspectos necessários para o êxito de uma negociação. E isto é dado pelo MIN - Modelo Integrado de Negociação. Existem 5 pontos a serem considerados.
Para que possamos chegar ao ganha/ganha é preciso que tenhamos uma compreensão de todos os fatores e aspectos necessários para o êxito de uma negociação. E isto é dado pelo MIN - Modelo Integrado de Negociação. Existem 5 pontos a serem considerados.
1- O próprio negociador com suas atitudes, crenças, valores,
conhecimentos e habilidades
Para verificar como você anda com relação a este ponto procure
responder às seguintes perguntas: Você sabe lutar pelo desejável de maneira
realista sabendo diferenciar aquilo que, de fato, é importante em cada
situação? Tem crenças positivas e um grande desejo de obter sucesso e de
realizar? Tem conhecimento dos fatores necessários para o êxito em uma
negociação? Procura desenvolver suas habilidades, quase que de modo semelhante
a um atleta que esta sempre treinando para, não apenas manter sua forma, mas
também, para se aperfeiçoar? Tem sensibilidade para perceber prontamente que os
procedimentos que está adotando não estão adequados? Tem flexibilidade para a
encontrar outros caminhos quando o caminho que você está seguindo não está
conduzindo aos resultados que você deseja?
2 - Processo de negociação
Quer as pessoas queiram ou não, toda negociação é um processo.
Importa em aspectos tais como etapas, estratégias, táticas, superação de
impasses e a forma de se efetuar concessões. Ter a consciência de que
negociação é um processo é fundamental. Existem três etapas deste processo que
normalmente se constituem em pontos fracos de muitos negociadores, que são a
preparação, ou seja, o dever de casa, a exploração, que é a coleta de
informações, para que se possa fazer uma apresentação de acordo com os
interesses, necessidades e desejos do outro lado e o controle e avaliação, que
é o que se sucede após o acordo. Na verdade, é aqui que poderemos saber o que
vai ser efetivamente implementado e se o se o acordo foi bem ou mal formulado.
De nada adianta um acordo que, quando foi assinado se constituía num verdadeiro
ganha/ganha, mas que na sua implementação, por má fé ou incompetência, acaba se
transformando num ganha/perde ou, mesmo, num autêntico perde/perde.
3 - O conhecimento do assunto, objeto da negociação
Este ponto é de extrema importância, pois negociação é o processo
de alcançar objetivos através de um acordo e quem não conhece o assunto não
sabe diferenciar um bom de um mau objetivo. Se comporta como alguém que toma um
taxi numa cidade desconhecida. O motorista faz logo duas ou três perguntas e de
acordo com as respostas, uma corrida que pode ser feita em 10 ou 15 minutos
acaba demorando uma hora ou mais. Conhecer o assunto é básico para que se
possam estabelecer objetivos, definir a margem de negociação, construir
alternativas de ganho comum e estabelecer critérios objetivos que possam ser
utilizados na definição do acordo. Pode envolver, entre outros, aspectos
técnicos, econômicos, financeiros, sociais, administrativos, jurídicos,
contabilidade de custos e matemática financeira. E é preciso ter muito cuidado
com estes assuntos. Vejamos, por exemplo, a matemática financeira, onde os
equívocos podem ser enormes. Quem se dá ao trabalho de verificar as formas de
pagamento anunciadas em jornais fica estarrecido. Os juros, muitas vezes,
ultrapassam a casa dos 70%, camuflados, em algumas oportunidades, sob a forma
de prestações decrescentes.
4 - Os cenários da negociação
Toda negociação tem três cenários. O primeiro diz respeito ao
local e às pessoas que estão diretamente envolvidas na negociação, ou seja,
àqueles que estão buscando chegar a um acordo. É sempre necessário saber a
autoridade da pessoa com quem se está negociando. Caso não se tenha esta
preocupação pode-se perder muito tempo negociando com a pessoa errada ou se
fazer concessões sem não obter nada em troca. O segundo cenário diz respeito ao
que está por traz destes negociadores, tal como pessoas que consideram
importantes ou tem como modelo, e pessoas que lhes dão os parâmetros a que
devem se ater e definem seus limites de autoridade. A estas pessoas chamamos de
eleitorado dos negociadores e saber quem é o eleitorado do outro negociador
pode ser uma informação de grande valia. Inclui-se aqui, também, todo o apoio
logístico necessário para que se efetue uma boa negociação, tal como uma sólida
base de informações, de análise e de assessoria. Pode-se pensar em alguma coisa
semelhante ao que acontece nas partidas de xadrez. Quando uma partida é
suspensa, cada lado tem um conjunto de assessores que vai analisar o que
ocorreu, prever quais os possíveis desdobramentos e oferecer sugestões. O
terceiro cenário é o macro ambiente econômico, político, social e cultural.
Nestes tempos de globalização, tem um peso bastante acentuado. Várias
negociações já foram perdidas em função do desconhecimento da cultura de outro
povos.
5 - Relacionamento Interpessoal
É uma outra área básica a ser considerada. A habilidade de
relacionamento começa, na realidade, com a capacidade de separar as pessoas dos
problemas que ocorrem na negociação. Isto quer dizer não transformar as
dificuldades inerentes ao processo de negociação em algo pessoal contra a
figura do outro negociador. Ou seja, uma batalha de vontades, um conflito de
egos, em que o mais importante passa a ser ver as suas opiniões e posições
prevalecerem, não importando a qualidade do acordo nem a contribuição efetiva
que o outro lado pode oferecer no sentido de um desfecho que atenda aos
interesses de ambas as partes. Esta área também diz respeito à capacidade de
identificar estilos comportamentais dos negociadores, de negociar de forma
apropriada ao estilo do outro e de saber trabalhar com os impasses e as
frustrações que, eventualmente, possam ocorrer.
Conclusão
A negociação eficaz depende, portanto, de muita competência. Deve ser sempre lembrado que esta competência diz respeito não somente a aspectos da realidade externa dos negociadores, mas também e, sobretudo, de suas realidades internas, tal como seus processos de percepção, expectativas, emoções, temores, atitudes, crenças, valores e necessidades. Um negociador eficaz tem sempre presente que as pessoas se comportam de acordo com a realidade percebida, isto é com seus mapas mentais que são suas representações da realidade externa, ou seja, do território e, consequentemente, dos cenários da negociação. Portanto, negociar bem é, também, um processo de descoberta da experiência subjetiva própria e do outro negociador, e de seu território interno, pois este é o verdadeiro local em que a negociação acontece.
A negociação eficaz depende, portanto, de muita competência. Deve ser sempre lembrado que esta competência diz respeito não somente a aspectos da realidade externa dos negociadores, mas também e, sobretudo, de suas realidades internas, tal como seus processos de percepção, expectativas, emoções, temores, atitudes, crenças, valores e necessidades. Um negociador eficaz tem sempre presente que as pessoas se comportam de acordo com a realidade percebida, isto é com seus mapas mentais que são suas representações da realidade externa, ou seja, do território e, consequentemente, dos cenários da negociação. Portanto, negociar bem é, também, um processo de descoberta da experiência subjetiva própria e do outro negociador, e de seu território interno, pois este é o verdadeiro local em que a negociação acontece.
JOSÉ AUGUSTO WANDERLEY
CONSULTOR EM LIDERANÇA E NEGOCIAÇÃO E AUTOR DO LIVRO NEGOCIAÇÃO TOTAL: ENCONTRANDO SOLUÇÕES, VENCENDO RESISTÊNCIAS, OBTENDO RESULTADOS.
CONSULTOR EM LIDERANÇA E NEGOCIAÇÃO E AUTOR DO LIVRO NEGOCIAÇÃO TOTAL: ENCONTRANDO SOLUÇÕES, VENCENDO RESISTÊNCIAS, OBTENDO RESULTADOS.
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